quarta-feira, 27 de julho de 2011

SOLIDÃO DE TUDO

Enzo Carlo Barrocco


O dia pardo pousa
sobre as coisas;
tudo embuçado
à procura de luz.

Um barco no aclive
da manhã
desliza moroso
pelo lombo do tempo.

O mar, a praia,
beijos, beijos...
Solidão de tudo
na manhã cinzenta.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A LANTERNA DOS LUMIÈRE: NANINI SOB UM DOMÍNIO SEVERO

O SOL CAUSTICANTE DA COLÔNIA



















Filme: Carlota Joaquina, Princesa do Brazil, Comédia, Brasil, 1995 – 1h40. Direção: Carla Camurati. Com: Marieta Severo, Marco Nanini, Ludmila Dayer, Brent Heatt, Maria Fernanda, Marco Palmeira, Eliana Fonseca, Antônio Abujamra, Ney Latorraca, Norton Nascimento.


É bem provável que Camurati tenha “carregado na tinta”, visto a personalidade imposta à D. Carlota Joaquina (Severo) seja bastante forte. Mesmo assim o filme tem um excelente resultado com um bom roteiro e bons figurinos. Nanini empresta a um D. João VI, mandrião e subserviente, o seu talento apurado. Para escapar das tropas Napoleônicas a Família Real transfere-se para o Brasil, onde vive um exílio de 13 anos. O casal real, já em permanentes conflitos, aumenta consideravelmente a sua desigualdade com a chegada à colônia. Valeu a tenacidade de Camurati para realizar este filme.




quinta-feira, 21 de julho de 2011

POUCO FAÇO O QUE DE MIM SE APARTA

Enzo Carlo Barrocco


Pouco faço o que de mim se aparta,
córregos se arrastando entre as pedras;
rente as grotas um céu profundo
desaparece por trás do seu próprio contorno.

Configuram-se no horizonte graves formatos
sobrevindo uma luz baça sobre os campos.
uma cortina d’água se precipita no vácuo,
o tempo se contorce entre lamentos.

melhor seria toda a claridade
de um sol de meio-dia sobre as paisagens
que se alongam e se perdem para sempre.

Relembro que já fui pastor de estrelas
tangendo ovelhas de luz num campo vasto
cuja imensidão desconhecia
.
 


sexta-feira, 8 de julho de 2011

EVANDRO DO BANDOLIM E A MÚSICA NO JIRAU

CD: Evandro do Bandolim e Seu Regional Interpretam 24 sucessos
Intérprete: Evandro do Bandolim
Gravadora: Brasis (1997)



A gravadora Brasis, numa justíssima homenagem, reuniu neste CD, 24 músicas magistralmente interpretadas por Josevandro Pires Carvalho, o Evandro do Bandolim (João Pessoa, PB 1932  - São Paulo 1994). São dezenove compositores famosíssimos do mundo do choro reunidos nas cordas do bandolim de Evandro. De Garoto a Ernesto Nazareth, de Sivuca a João Pernambuco, passando por Zequinha de Abreu, Abel Ferreira, Pixinguinha, entre outros. O amante do chorinho, a legítima música brasileira, precisa deste CD em sua coleção. Odeon (Ernesto Nazareth), Chorando Baixinho (Abel Ferreira), Flamengo (Bonfiglio de Oliveira), Bem-te-vi Atrevido (Lina Pesce), Carinhoso (Pixinguinha), Na Glória (Raul de Barros), Sons de Carrilhões (João Pernambuco), André de Sapato Novo (André Victor Correa) Elegante (Evandro/Ventura Ramirez), são algumas das preciosidades deste CD. Experimente o mágico bandolim do paraibano Josevandro Pires Carvalho. 


quinta-feira, 7 de julho de 2011

PÉROLAS DE CARANANDUBA - CANTO Nº 10

 

Enzo Carlo Barrocco


AURORA
Surge a aurora, terna imagem,
vem nascendo um lindo dia,
um sol indolente espia,
a luz decora a paisagem.

SALÁRIO MÍNIMO
A grana não deixa rastro,
não chega no fim do mês.
Como dá pra ser cortês
com um problema desse lastro?

SÚBITO, A VELHICE.

“O tempo tem seus poderes”
- um sábio vetusto disse -
num átimo chega a velhice
sem, ao menos, perceberes.

AVAREZA
Não há nada que nos valha
sermos mesquinhos. A faceta:
caixão não possui gaveta,
tampouco bolso, a mortalha.

SERTÃO DE DORES
O povo franco e honrado
tão facilmente se ilude;
o governo escava açude.
com o suor do flagelado.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A POESIA FLUMINENSE DE CASIMIRO DE ABREU



Da mente genial de Casimiro de Abreu,  poeta e dramaturgo fluminense
ESTRELA DA NATIVIDADE: Capivary, atual Silva Jardim 1839
CRUZ DA ETERNIDADE: Nova Friburgo 1860.
















RISOS.

Ri, criança, a vida é curta,
O sonho dura um instante.
Depois... o cipreste esguio
Mostra a cova ao viandante!

A vida é triste - quem nega?
- Nem vale a pena dizê-lo.
Deus a parte entre seus dedos
Qual um fio de cabelo!

Como o dia, a nossa vida
Na aurora é - toda venturas,
De tarde - doce tristeza,
De noite - sombras escuras!

A velhice tem gemidos,
- A dor das visões passadas -
A mocidade - queixumes,
Só a infância tem risadas!

Ri, criança, a vida é curta,
O sonho dura um instante.
Depois... o cipreste esguio
Mostra a cova ao viandante!

Rio - 1858.

 

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A CASA DE TAIPA

Enzo Carlo Barrocco



Eram papoulas plantadas
na calçada de barro
da casa de taipa rente à várzea.
Um terreiro branco, a paisagem azul.

Um baque de machado ao largo
e um vento pelas folhas vesperais;
A sombra da casa se alonga a leste.
Paneiros suspensos nas paredes.

Um pilão à sombra do laranjal...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

AS FLORES VIRTUAIS

Enzo Carlo Barrocco



Estou  saindo para não morrer
de solidão e tecnologia,
armo a palavra e sobre a língua vária
fecho as cortinas da melancolia.

Somente a luz virtual e fria
apodera-se dos meus dedos brancos
entretanto, entre solavancos
ando à procura de aves retirantes.

Que importa a música e a estrofe
que  o tempo não tem rédea ou peia,
a cada hora a palavra muda,

a cada dia tudo mais se afeia,
hoje o perfume sensual das flores
busco nas telas dos computadores.



sexta-feira, 3 de junho de 2011

A POESIA PERSPICAZ DE ZILA MAMEDE



O POEMA

Rua (TRAIRI)

Nos cubos desse sal que me encarcera
(Pedras, silêncios, picaretas, luas,
anoitecidos braços na paisagem)
a duna antiga faz-se pavimento.

Meu chão se muda em novos alicerces,
sob as pedreiras rasgam-se meus passos;
e a velha grama (pasto de lirismos)
afoga-se nos sulcos das enxadas,

nas ânsias do caminho vertical.
Ao sono das areias abandonam-
se nesta rua vívidos fantasmas

De seus rios meninos que descalços
apascentavam lamas e enxurradas.
Meu chão de agora: a rua está calçada.



A POETA 




Zila da Costa Mamede (Nova Palmeira 1928 – Natal, RN 1985) poeta paraibana, se notabilizou  pela sutileza com a qual desenvolvia sua poesia, com temas relacionados as suas paixões e ao sertão nordestino. Zila foi elogiada por nomes famosos da literatura brasileira, incluindo Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Câmara Cascudo e João Cabral de Melo Neto, entre outros. A poeta também se dedicou à  pesquisa de importantes nomes da nossa literatura. Encante-se com a poesia de Zila, por sorte, espalhada pela “grande rede”.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

LIBÉLULAS RUBRAS - 1ª TRÍADE


Enzo Carlo Barrocco


O MAR DE PEDRAS
Neste mar de pedras
posso bem falar,
sopra um
vento
morto,
devagar.


O BEIJO
Quando se beija
fecham-se os olhos,
e o universo
todo
cabe na boca
da outra pessoa.




OS PÁSSAROS
Os poetas são um
bando de pássaros
unicolores
sobrevoando o fundo branco
do lençol
da alma.

ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...