quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

ELSON FRÓES: UM POETA


Elson Fróes
(São Paulo 1963)
Poeta paulista

Caro seja meu canto,
o que desejo é flama
que arde neste ar.
O que desejo arde
em flama neste ar
de canto sem encanto.

Se o pensar se evola,
seja volátil este ar
de amar em flamas.
Seja volátil amar
neste ar em flamas
que o coração labora.

Canto de amor agora
se já evola em flamas
o que desejo neste ar.
Seja volátil o desejo
em flamas neste ar
de acender o que adora.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O ENGRAVATADO

Miniconto

por Enzo Carlo Barrocco




















Quando subi para o ônibus na Rua Vinho Novo ainda tinha um lugar vago nas cadeiras de trás. Passei a roleta e sentei ao lado de um distinto senhor de paletó e gravata, bem apessoado, cabelo certinho e uma pasta tipo presidente colocada no chão do ônibus. Naquele dia eu só tinha o dinheiro da passagem de ida; iria emprestar de algum colega para voltar a casa. Na Avenida Souza Paiva, o distinto senhor pediu licença para passar, pois, naturalmente, iria descer. Virei de lado, o homem passou e puxou a campainha. Quando o ônibus parou percebi que o engravatado tinha esquecido a pasta. Chamei-o imediatamente; ele pôs a mão na cabeça e entreguei-lhe a pasta e ele convidou-me a descer. Será que ele quer me recompensar? Foi o que me veio à cabeça. Desci, claro, com certa alegria, pois qualquer quantia, àquela altura, seria muito bem-vinda. O homem pegou minha mão e agradeceu-me várias vezes, penhoradamente, dizendo que ali tinha documentos importantes, etc.etc. E eu esperando a recompensa. De repente, o homem dá sinal para um táxi que parou e, agradecendo-me, pela última vez, o biltre entrou no carro e foi embora. Fiquei ali, a uns três quilômetros do meu trabalho, sem dinheiro, sol alto, calor insuportável, atrasado e atônito.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

PÁSSARO VOLÚVEL



A POESIA MELANCÓLICA DE SYLVIA PLATH


Sylvia Plath (Jamaica Plain, Massachusetts, 1932 — Londres 1963)
Poeta, romancista e contista americana

PAPOULAS DE JULHO

Ó papoulinhas, pequenas flamas do inferno,
Então não fazem mal?

Vocês vibram. É impossível tocá-las.
Eu ponho as mãos entre as flamas. Nada me queima.

E me fatiga ficar a olhá-las
Assim vibrantes, enrugadas e rubras, como a pele de uma boca.

Uma boca sangrando.
Pequenas franjas sangrentas!

Há vapores que não posso tocar.
Onde estão os narcóticos, as repugnantes cápsulas?

Se eu pudesse sangrar, ou dormir!
Se minha boca pudesse unir-se a tal ferida!

Ou que seus licores filtrem-se em mim, nessa cápsula de vidro,
Entorpecendo e apaziguando.
Mas sem cor. Sem cor alguma.

Tradução:
Afonso Félix de Souza.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

ALCEU VALENÇA E A MÚSICA NO JIRAU

Resenha
por Enzo Carlo Barrocco



TÍTULO: LEQUE MOLEQUE
INTÉRPRETE: ALCEU VALENÇA
GRAVADORA: RCA VICTOR (1987)

Leque Moleque, talvez, seja um dos trabalhos mais importantes de Alceu Valença, poeta pernambucano. Escolheu a música (ou foi a música que o escolheu?) para que sua sensibilidade fosse mais apreciada. Letras belíssimas aliadas a sua interpretação única nos causam a sensação de puro prazer. Destaque para as músicas Bobo da Corte (Alceu Valença), O P da Paixão (Alceu Valença), Leque Moleque (Carlos Fernando e Alceu Valença), Girassol (Alceu Valença) Íris (Alceu Valença). Acompanhado de músicos como Tavinho (Teclados), Wilson Meireles (Bateria), Sidinho (Percussão), Hirashi Honda (guitarra), Eduim (atabaque) e o saudoso Rafael Rabelo (guitarras, violão de aço), falecido em 1995, o disco realmente é uma verdadeira raridade. Rildo Hora ainda empresta seu talento à música Girassol. Os dois primeiros versos da música Leque Moleque já nos faz perceber a linha poética de Alceu: “Primeiro a luz e o verbo / depois reluz invenção...

AS MULHERES NUAS

Enzo Carlo Barrocco




Dos meus olhos impuros
descubro a via ápia
das curvas que existem no teu semblante.

Acontece tudo o que se imagina;
estrada que segue
entre milharais e
este céu flavo; tarde nos meus cabelos.

As mulheres nuas dançam
sobre um tapete
imaginadas agora dentro de mim.

O que se passa nos lugares
onde meus olhos não alcançam?
Ainda estou longe de me tornar um anjo...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

EDIMILSON DE ALMEIDA PEREIRA O POETA DAS GERAIS


EDIMILSON DE ALMEIDA PEREIRA
Juiz de Fora 1963
Poeta e ensaísta mineiro


QUADRA

Serpentina alguma morre no ar
e a folia não queda no escuro.
Um temor envolve toda alegria
e o esquecimento vigia sua eternidade.
A morte na folia ama a serpentina
e nem separa a vida de seu destino.
Em quadra ficam os dias, o amor cansado da
alegria, em quadra um desejo no teto,
deidade no templo.

A LANTERNA DOS LUMIÈRE - ALAN RICKMAN E MOS DEF SÃO QUASE DEUSES

Resenha
por Enzo Carlo Barrocco

TENACIDADE É A PALAVRA-CHAVE.



Filme: Quase Deuses (Something the Lord Made), Drama, 110 minutos, EUA (2004). Direção: Joseph Sargent. Com: Alan Rickman, Mos Def, Kyra Sedgwick, Merritt Wever, Doug Olear, David Bailey, Nat Benchley, Gabrielle Union

A época da Depressão americana, Viven Thomas (Def), um jovem negro, perde todo o dinheiro que tinha juntado para pagar a faculdade de medicina. Como faxineiro de um pesquisador, Vivien descobre realmente seu talento para a área médica. Trabalhando na Universidade Johns Hopkins, ao lado do doutor Alfred Blalock (Rickman), Viven se torna, depois de inúmeras decepções, um excelente professor, sendo, inclusive, já com a idade avançada, agraciado com o título de doutor. Excelente atuação de Mos Def. Esse filme, fruto de uma história real, foi realizado originariamente para a TV americana.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

OS ANIMAIS: NOSSOS IRMÃOS DE PLANETA

Crônica

por Enzo Carlo Barrocco

















"Arca de Noé" 
Edvard Hicks (1780 - 1849) pintor americano 
Philadelphia Museum of Arte

Todos nós que comemos carne, seja de que espécie de animal for, estamos, sumariamente, fadados às hostes do inferno. Mas chegará o tempo, tenho plena certeza, que o homem não precisará mais se valer dos nossos irmãos de planeta para saciar a sua primordial necessidade física. Vem-me a lembrança, a propósito, uma frase do grande José do Patrocínio, poeta, romancista, orador e jornalista fluminense (Campos 1854 – Rio de Janeiro 1905), abolicionista de primeira ordem, que dizia: “Tenho pelos animais um respeito egípcio, penso que eles têm alma, ainda que rudimentar e que eles têm conscientemente revoltas contra a injustiça humana”. Eu particularmente fico indignado quando tomo conhecimento que algum animal foi alvo de mal-tratos. A Sociedade Protetora dos Animais, juntamente com outros órgãos do governo, deveriam fiscalizar de maneira ostensiva para que se coíba esse tipo de procedimento. As estâncias de materiais de construção, principalmente, usam veículos de tração animal para o transporte de material, como: pedra, areia, cimento, madeiras, etc. É muito triste ver que depois de tantos anos de trabalho sob a tirania do chicote, os animais velhos, cansados e aleijados sejam soltos à própria sorte. Cuide e trate bem os nossos amigos ditos irracionais, pois veja bem: é infinitamente pior maltratar um animal do que uma pessoa, porque a pessoa pode até se revoltar e te dar um tiro na cara, mas o animal, não; este vai se esconder com medo do que tu possas fazer com ele. Portanto deixa o animal silvestre na natureza, é lá que ele vive bem. Trata bem o teu animal doméstico! Não incitas o animal selvagem! Iguanas, cobras e algumas espécies de ratos não são animais de estimação, e sim, animais que precisam viver livremente na natureza. Lembra-te: enquanto, muitas vezes, estás na igreja pedindo pela tua alma e pela tua saúde, um animal está sendo sacrificado para o teu almoço.

O DIÁRIO DOS PENSADORES - PÁGINA 20


Para ensinar há uma formalidade a cumprir: saber.
- Eça de Queiroz (Povoa do Varzim 1844 – Paris 1900) contista
e romancista português

A liberdade não é uma concessão, mas uma vitória de cada dia.
- Jânio Quadros (Campo Grande, então Estado de Mato Grosso 1917 – São Paulo 1922) político mato-grossense, ex-presidente da República

Cada coisa tem sua hora e cada hora o seu caminho.
- Raquel de Queiroz (Fortaleza 1910 – Rio de Janeiro 2003) contista, romancista, dramaturga e cronista cearense

O que dizemos nem sempre é parecido com o que somos.
- Jorge Luis Borges (Buenos Aires 1899 – Genebra, Suíça 1986) poeta, contista e ensaísta argentino

Da raivosa paixão que resulta do ciúme, só os ciumentos podem falar adequadamente.
- Francisco de Quevedo y Villegas (Madri 1580 – Villanueva de los Infantes 1645) poeta espanhol

A alma é essa coisa que pergunta se a alma existe.
- Mário Quintana (Alegrete 1906 – Porto Alegre 1994) poeta, contista e jornalista gaúcho

O marido enganado é um homem que se engana a respeito da mulher que o engana.
- Sérgio Porto, o Stanlislaw Ponte Preta (Rio de Janeiro 1923 – Idem 1968) cronista e humorista fluminense

É dever do homem levantar o homem.
- José Marti (Havana 1853 – Dos Rios 1895) poeta, ensaísta e jornalista cubano

Veja o meu caso: eu caminhei do nada para um estado de extrema pobreza.
- Groucho Marx (Nova York 1890 – Los Angeles 1977) ator comediante americano

A religião é o gemido do oprimido.
- Karl Marx (Trier 1818 – Londres 1883) economista, político, filósofo e ensaísta alemão

As pessoas pedem críticas, porém só desejam ouvir elogios.
- William Somerset Maughan (Paris 1874 – Londres 1065) romancista, contista, dramaturgo e ensaísta inglês

ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...