terça-feira, 1 de março de 2011

RIMBAUD: UM GÊNIO NO JIRAU


Da mente genial de Arthur Rimbaud, poeta francês
Estrela da Natividade: Charleville 1854 
Cruz da Eternidade: Marselha, 1891
 
 
 
No Cabaré-Verde
às cinco horas da tarde
 
Depois de oito dias, larguei as botinas
Pelo caminho. Eu entrei em Charleroi.
— No Cabaré-Verde: pedi torradas finas,
Manteiga e presunto, que é frio o lugar.
 
Feliz, estiquei as pernas sob a mesa
Verde: e contemplei os toscos motivos
Da tapeçaria. — E foi uma beleza
Quando a vi, enormes tetas, olhos vivos,
 
É ela! Não é um beijo que a apavora!
Risonha, trouxe a refeição na hora,
O presunto tostado, num belo prato,
 
O presunto róseo e branco perfumado
Pelo alho — e encheu-me o copo ávido
De espuma brilhante como um raio de sol.
 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

GRÃO E CORISCO

Enzo Carlo Barrocco


Meu verso diminuto e tão pequeno,
talvez, assim, inexpressivo grão,
mas, também, sei, intumescido e pleno
foge um pouco além da minha mão.

E se consigo domá-lo, potro arisco,
escoiceando as portas do poema,
plena luz morta ao chão, corisco
que fende o ar sob dor extrema.

Põe-se, assim, a galopar ligeiro
e sua crina de amarelo-rubro
 faz-me louco que se me descubro

sob as vestes de um deus-poeta;
mas também sei, intumescido e pleno,
meu verso diminuto e tão pequeno.



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

PÉROLAS DE CARANANDUBA - CANTO Nº 09

Enzo Carlo Barrocco


A MÁQUINA INDESTRUTÍVEL
O tempo: perene instante,
aparelho da contagem,
não precisa à engrenagem
de óleo lubrificante. 

AS MANGUEIRAS DO 1º COMAR
São quatro mangueiras em
que as vezes parecem uma,
lindo poema, em suma,
na paisagem de Belém.

VÍCIO DIGITAL
Celine se viciou,
seu tempo agora consiste
ficar logada ao tuitter
em frente ao computador.

ESTÁS PENSANDO QUE ISSO É NÉVOA!
A manhã nasceu tristonha
envolta  por nevoeiros,
é que à noite os maconheiros
fumaram muita maconha.

A MISERÁVEL RUA DA INVASÃO REMOTA
À noite a rua era escura,
extremamente afastada
que nem mesmo era citada
nos mapas da Prefeitura.  

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ALONSO ROCHA: O ADEUS DO POETA



É com pesar que comunico o falecimento, em Belém, do poeta paraense  Alonso Rocha na noite desta terça-feira, 22.02.11, aos 84 anos. Segundo informações de familiares, Alonso estava debilitado e teve o quadro agravado por problemas pulmonares.
O poeta é apontado como um dos melhores sonetistas do Pará dos últimos 50 anos. Na trova o mesmo apuro técnico, embora tenha começado tarde nessa variante. É poeta eclético - como mesmo declarava – não aprisionado a escolas e sem preconceito com qualquer forma de manifestação poética. Alonso foi eleito o IV Príncipe dos poetas do Pará e também pertenceu à Academia Paraense de Letras. Abaixo, um dos sonetos do grande poeta:




NOTURNO
  

Das papoulas da noite colho o espanto
- chuva antes da Lua aparecer –
e das gotas do orvalho teço o canto,
mistura de cansaço e de sofrer.

Na armadilha da aranha aceito o encanto
(macho prestes a amar e fenecer)
e da ferida aberta flui-me o pranto
- linfa de garça em vôo de se perder.

Ninguém percebe como dói a espera
- ave noturna, cais de pedra, fera –
atalho de um caminho amargo e escuro.

Então floresce o poema, essa oferenda,
mais sombra do que luz, trapo que renda,
flauta de amor de pássaro maduro.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

QUINTANA: UM GÊNIO NO JIRAU

Da mente genial de Mário Quintana, poeta, contista e tradutor gaúcho
Estrela da Natividade: Alegrete 1906
Cruz da Eternidade: Porto Alegre 1994



Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

OS PARAOARAS

Enzo Carlo Barrocco


Eu “vu” “aculá”
buscar um paneiro de tucumãs
se chover me “escundo” num pé de sororoca
que a manhã já “tá” “jitinha” que só!

Égua de ti
que me põe pissica!
Vai de “impurtar” contigo,
lavar essa canela tuíra.

Eu “vu” “suzinho”
debulhando a tarde
só “ulhando” os “pai-pedro”  “arvuar”.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

NOTÍCIA DO DIA

NO UOL NOTÍCIAS DE HOJE:


"Britney Spears e Lady Gaga estão com músicas novas; qual você prefere?"

Eu prefiro nenhuma. 

Por favor, me manda aí um Jackson do Pandeiro!

GEOMETRIA



Enzo Carlo Barrocco




Pouca luz
assoma a tua sombra
em mim.
A mão, lua-mão,
encontra a minha mão.
No mais, amor,
desejo a sombra que a pouca luz assoma.

Nem ouso o sensual
já que teu sorriso é geométrico e fatal.


 

VOLTAIRE NO DIÁRIO DOS PENSADORES




"Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males". 


- François Marie Arouet, o Voltaire (Paris 1694 – Idem 1778) contista, romancista, dramaturgo e filósofo francês


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

MANHÃ SOBRE A BAÍA

Enzo Carlo Barrocco

Um barco solitário na baía
acorda-me todo dia,
do alto do meu prédio amanhecido
barco, solidão, poesia.

Estico o dedo vário
e longe toco o barco imaginário,
do alto do meu prédio amanhecido
meu poema solitário.

Um barco moroso e solitário
navega à poesia
do alto do meu prédio imaginário
luz, velame, baía.

ALVARENGA PEIXOTO: O POETA INCONFIDENTE

Inácio José Alvarenga Peixoto, poeta fluminense (Rio de Janeiro 1744 – Ambaca, Angola 1793), estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janei...